Já reparou que ninguém repara nos garis? Eles estão entre nós, diligentes no seu serviço, mas são invisíveis. Ninguém os cumprimenta, ninguém dá atenção à função que executam, ninguém se preocupa com eles e ninguém se incomoda com eles. Sinésio, que há um par de décadas trabalha como gari em um bairro de alta classe média da região Centro-Sul da metrópole, teve, de súbito, a clarividência: a invisibilidade, afinal de contas, deve servir para alguma coisa!
Certa feita, quando executava seu trabalho em frente à mansão de número 1.472 da rua Sinval de Sá, que cruza o referido bairro onde está alocado, viu sair de lá um senhor grisalho, gordo, que, decerto, era o morador. Ou um dos. Sinésio, que estava próximo ao portão, aproximou-se, pediu licença – obviamente sem obter qualquer tipo de resposta – e entrou enquanto o gordo grisalho, mantendo o portão aberto, dava algumas recomendações ao jardineiro, que também era ligeiramente invisível.
Abismado com a imponência do jardim, da piscina e da casa logo adiante, o gari seguiu pelo caminho de pedras-são-tomé dispostas pelo gramado. O casal de rotweillers que estava na varando não latiu quando ele chegou perto e, empurrando a porta da entrada, que estava apenas cerrada, entrou. Na ampla sala, duas crianças jogavam videogame e a faxineira espanava a cristaleira. Sinésio fez apenas um leve e encabulado meneio de cabeça, a título de cumprimento ou apresentação. Ninguém retribuiu. As crianças continuaram entretidas em frente à TV e a faxineira continuou espanando.
Ele encostou a vassoura em um canto, sentou-se no sofá, macio que só, e tirou as botinas que judiavam de seus calos. Ficou cerca de meia hora ali, apenas observando. Viu outras duas empregadas passarem pela sala, ambas meio invisíveis, e também a mãe das crianças – supostamente esposa e filhos do gordo grisalho -, que foi cobrar que largassem o jogo para fazer o dever de casa. Como ninguém o via, aproveitou para tirar uma meleca do nariz e limpar no confortável sofá. Levantou-se, saiu andando pela casa, foi ao banheiro, esvaziou a bexiga e seguiu para cozinha.
Lá havia outra empregada, melhor vestida e um pouco menos invisível que as outras três. Mais à vontade, dirigiu-se a ela com um “ôpa!, e aí, tudo bem? Dia quente, não?” sem esperar resposta, que, aliás, não obteve. A mulher – devia ser a governanta – continuou com os seus afazeres. Sinésio abriu a geladeira, viu algumas cervejas de marcas que ele nunca ouvira falar, vinhos, vários acepipes e, no freezer, gordas peças de carne. Sorriso matreiro no rosto, pensou consigo: “vou chamar o pessoal pra um churrasco aqui nesse próximo final de semana”.
28.1.08
Expurgo
Já contei como tudo aconteceu, mas não me importo em repetir. Na verdade, os fatos que aqui retomo estão descritos, com mais minúcias do que o espaço que aqui temos permite, no prólogo da obra intitulada “Histórias Curtas e Violentas” – livro breve porém denso que eu e meus amigos W. Merije e H. Trotta editamos há cerca de cinco anos e cujo conteúdo e origem permanecem, mesmo para nós, que assumimos a paternidade da cria bastarda, uma incógnita. Está no prólogo porque julgamos necessário esclarecer que a obra em questão não é de nossa autoria, a despeito de nossos nomes grafados na capa.
Pois bem, o que está ali escrito diz respeito àquele que talvez seja o responsável pela prosa insidiosa que justifica o título “História Curtas e Violentas”. Ele se chama Eustáquio Ladeira, nós o conhecemos na época da faculdade. A impressão que ainda hoje guardo do dito é de que se tratava de um mentiroso compulsivo, incapaz de dizer uma única verdade a respeito de si, do que fazia, de onde morava ou do que quer que fosse. Era um sujeito intenso por natureza, fervilhava de idéias que poderiam mudar o mundo e, sobretudo, era um ficcionista hábil.
Taquinho largou o curso no quarto ano, às vésperas de se formar, dizendo que ia se mudar para a Europa. Não há como dizer com certeza se foi mesmo, mas o fato é que não retornou no início do ano letivo subseqüente. Ficamos sem notícias dele por dez anos até que, a poucos meses da virada do milênio, numa noite em que eu estava petiscando com um grupo de amigos num dos bares do saguão de entrada do edifício Arcângelo Malleta, eis que surge o homem. Muito mais magro, de cabeça raspada, eufórico como se estivesse drogado, Taquinho desceu pela escada que leva à sobreloja e me cumprimentou efusivamente.
Ele não quis se sentar na mesa em que eu estava, mas conversamos cerca de meia hora. Taquinho me contou que esteve na Inglaterra, morou um tempo na Dinamarca e passara os últimos anos na Índia. Nesse percurso, escreveu um livro de pequenos contos que não chegou a ser publicado. Estava com os originais debaixo do braço e insistiu para que eu lesse. Assenti, dizendo ante sua visível pressa que poderíamos nos encontrar no dia seguinte, quando eu lhe devolveria os manuscritos. Nunca mais voltei a ver ou ter notícias de Taquinho. Penso até se não sonhei sua presença naquela noite. Não sonhei. A prova são aqueles textos maledicentes, diabólicos, cruéis, perniciosos e devassos, os quais, pela necessidade de expurgo, resolvemos, eu, W. Merije e H. Trotta, publicar sob o título de “Histórias Curtas e Violentas.”
Pois bem, o que está ali escrito diz respeito àquele que talvez seja o responsável pela prosa insidiosa que justifica o título “História Curtas e Violentas”. Ele se chama Eustáquio Ladeira, nós o conhecemos na época da faculdade. A impressão que ainda hoje guardo do dito é de que se tratava de um mentiroso compulsivo, incapaz de dizer uma única verdade a respeito de si, do que fazia, de onde morava ou do que quer que fosse. Era um sujeito intenso por natureza, fervilhava de idéias que poderiam mudar o mundo e, sobretudo, era um ficcionista hábil.
Taquinho largou o curso no quarto ano, às vésperas de se formar, dizendo que ia se mudar para a Europa. Não há como dizer com certeza se foi mesmo, mas o fato é que não retornou no início do ano letivo subseqüente. Ficamos sem notícias dele por dez anos até que, a poucos meses da virada do milênio, numa noite em que eu estava petiscando com um grupo de amigos num dos bares do saguão de entrada do edifício Arcângelo Malleta, eis que surge o homem. Muito mais magro, de cabeça raspada, eufórico como se estivesse drogado, Taquinho desceu pela escada que leva à sobreloja e me cumprimentou efusivamente.
Ele não quis se sentar na mesa em que eu estava, mas conversamos cerca de meia hora. Taquinho me contou que esteve na Inglaterra, morou um tempo na Dinamarca e passara os últimos anos na Índia. Nesse percurso, escreveu um livro de pequenos contos que não chegou a ser publicado. Estava com os originais debaixo do braço e insistiu para que eu lesse. Assenti, dizendo ante sua visível pressa que poderíamos nos encontrar no dia seguinte, quando eu lhe devolveria os manuscritos. Nunca mais voltei a ver ou ter notícias de Taquinho. Penso até se não sonhei sua presença naquela noite. Não sonhei. A prova são aqueles textos maledicentes, diabólicos, cruéis, perniciosos e devassos, os quais, pela necessidade de expurgo, resolvemos, eu, W. Merije e H. Trotta, publicar sob o título de “Histórias Curtas e Violentas.”
Então é natal
O ar condicionado é a única coisa boa que existe, a única coisa que salva. De resto, isso aqui é o inferno na terra. Imagine só sem o ar condicionado! Com essa roupa! Sei lá que diabo de tecido é esse, percal, popelina, gabardina, não entendo bulhufas disso, mas sei que é quente pra caralho. Vermelho ainda por cima. Fico lembrando de anos passados, quando eu ainda ficava ali na porta do Atacadão dos Tecidos, na esquina da avenida Paraná com rua Carijós. Ali era foda, o dia inteiro em pé, com essa roupa, essa barba postiça, bigode postiço, toca, tudo vermelho, de cambraia, fustão, viscose, sei lá, debaixo do sol escaldante, suando em bicas, aquele mundo de gente indo e vindo e eu ali, com a obrigação de ficar rindo, pulando, brincando, achando tudo gracinha, tudo lindinho.
Aqui no shopping é menos mal, tem o ar condicionado. Os cínicos dirão que eu subi na vida. E o mal do cinismo é que ele não dá margem para discordância nem ponderação. Tudo bem, aqui é melhor, mas é ruim do mesmo jeito. As coisas que a gente passa! As coisas a que a gente se submete para pagar as contas! Ontem mesmo um pirralho branquelo e sardento que veio sentar no meu colo berrou: “Eu não acredito em você” e me lascou uma mordida, mordida mesmo, pra valer, na orelha. A vontade que deu foi de estrangular o infeliz, mas como é que faz se o papai, a mamãe, o titio, a vovó estão ali, sorridentes, achando tudo gracinha, tudo lindinho, tirando foto do filhinho no colo do Papai Noel. O pirralho não acredita em Papai Noel? Tudo bem, eu também não acredito no pirralho, aliás, não acredito em criança nenhuma. Essa história de que elas são páginas em branco, de que nascem puras e de que a personalidade se desenha conforme a criação e o convívio com outras pessoas, isso é balela. Todo mundo já nasce com seu quociente de maldade dentro e as crianças são particularmente más porque não têm pudor, podem ser explicitamente más porque são crianças, purinhas, coitadinhas, inocentes. Eu sei disso. Eu sinto isso. Ano após ano, vai chegando o Natal e aí pronto, eu tenho que conviver com as crianças, brincar com elas, fazer bilu-bilu nelas. Já perdi a conta de quantas vieram se sentar no meu colo pra mamãe tirar foto. A maioria não gosta, vem e senta porque a mamãe quer tirar foto do filhinho no colo do Papai Noel. Tudo bem, acho que dou conta de chegar no dia 25 sem esganar um desses pirralhos. O ar condicionado ajuda.
Aqui no shopping é menos mal, tem o ar condicionado. Os cínicos dirão que eu subi na vida. E o mal do cinismo é que ele não dá margem para discordância nem ponderação. Tudo bem, aqui é melhor, mas é ruim do mesmo jeito. As coisas que a gente passa! As coisas a que a gente se submete para pagar as contas! Ontem mesmo um pirralho branquelo e sardento que veio sentar no meu colo berrou: “Eu não acredito em você” e me lascou uma mordida, mordida mesmo, pra valer, na orelha. A vontade que deu foi de estrangular o infeliz, mas como é que faz se o papai, a mamãe, o titio, a vovó estão ali, sorridentes, achando tudo gracinha, tudo lindinho, tirando foto do filhinho no colo do Papai Noel. O pirralho não acredita em Papai Noel? Tudo bem, eu também não acredito no pirralho, aliás, não acredito em criança nenhuma. Essa história de que elas são páginas em branco, de que nascem puras e de que a personalidade se desenha conforme a criação e o convívio com outras pessoas, isso é balela. Todo mundo já nasce com seu quociente de maldade dentro e as crianças são particularmente más porque não têm pudor, podem ser explicitamente más porque são crianças, purinhas, coitadinhas, inocentes. Eu sei disso. Eu sinto isso. Ano após ano, vai chegando o Natal e aí pronto, eu tenho que conviver com as crianças, brincar com elas, fazer bilu-bilu nelas. Já perdi a conta de quantas vieram se sentar no meu colo pra mamãe tirar foto. A maioria não gosta, vem e senta porque a mamãe quer tirar foto do filhinho no colo do Papai Noel. Tudo bem, acho que dou conta de chegar no dia 25 sem esganar um desses pirralhos. O ar condicionado ajuda.
Anônimo
Estava andando e parou para pensar, sentado no banco da praça. Pensou, vendo os pombos no repasto das migalhas, que se avestruzes voassem e existissem em bando entre nós, isso seria uma coisa inacreditável. Imagine, uma revoada de avestruzes! Pensou, como já houvera pensado outras vezes, que se Telê Santana tivesse levado Reinaldo para a Copa do Mundo de 1982, talvez a história tivesse sido outra e a seleção lograsse o título. Lembrou-se de Cecília, com quem namorou por quatro anos e a quem amou como a nenhuma outra mulher. Pensou na felicidade suprema que era estar ao lado dela e na tristeza infinita que o possuiu depois da separação.
Pensou que toda briga é estúpida e que se elas, as brigas, são cada vez mais freqüentes, seja no âmbito planetário ou na intimidade do lar, é porque talvez as pessoas estejam perdendo a capacidade do diálogo. Pensou que o tempo, como o conhecemos, é uma convenção e, assim sendo, pode ser mudado. Não pensou em como seria um novo calendário, com a organização dos dias, semanas, meses e anos completamente diferente da que hoje temos. Pensou que está devendo uma visita à tia Mercedes, que o criou e que, hoje, do alto dos seus 82 anos, vive ligando para reclamar da solidão.
Pensou, ao ver um ônibus passando, que fumar um maço de cigarros por dia não pode ser mais prejudicial do que viver em uma metrópole, onde a impressão que se tem é a de que os blocos maciços de monóxido de carbono expelidos pelos automóveis pairam na altura dos nossos narizes. Pensou em quando, pela primeira vez na vida, beijou uma garota. Não se lembra do nome, mas sim em como, com muito custo, pois a timidez sempre lhe foi madrasta, aninhou as mãos dela entre as suas. Pensou que não se faz mais rock’n’roll como antigamente: Cream, Led Zeppelin, Deep Purple, Stones, Beatles, isso sim, eram bandas de rock’n’roll.
Sabe-se lá porque, pensou no texto da peça “As Moscas”, de Sartre, e na idéia que “a liberdade é um fardo pesado demais para se carregar”. Pensou, talvez por causa das moscas, que suas fezes andavam um tanto inconsistentes – não exatamente moles, como quando se está de diarréia, mas inconsistentes. Estaria ele com algum problema intestinal? Pensou que sempre gostou mais de gatos do que de cachorro e que jamais dispensaria um picanha na brasa, ao ponto, em favor de um sorvete de creme com banana e calda de chocolate quente. Morreu ali, no banco da praça, pensando, de morte natural, anônimo.
Pensou que toda briga é estúpida e que se elas, as brigas, são cada vez mais freqüentes, seja no âmbito planetário ou na intimidade do lar, é porque talvez as pessoas estejam perdendo a capacidade do diálogo. Pensou que o tempo, como o conhecemos, é uma convenção e, assim sendo, pode ser mudado. Não pensou em como seria um novo calendário, com a organização dos dias, semanas, meses e anos completamente diferente da que hoje temos. Pensou que está devendo uma visita à tia Mercedes, que o criou e que, hoje, do alto dos seus 82 anos, vive ligando para reclamar da solidão.
Pensou, ao ver um ônibus passando, que fumar um maço de cigarros por dia não pode ser mais prejudicial do que viver em uma metrópole, onde a impressão que se tem é a de que os blocos maciços de monóxido de carbono expelidos pelos automóveis pairam na altura dos nossos narizes. Pensou em quando, pela primeira vez na vida, beijou uma garota. Não se lembra do nome, mas sim em como, com muito custo, pois a timidez sempre lhe foi madrasta, aninhou as mãos dela entre as suas. Pensou que não se faz mais rock’n’roll como antigamente: Cream, Led Zeppelin, Deep Purple, Stones, Beatles, isso sim, eram bandas de rock’n’roll.
Sabe-se lá porque, pensou no texto da peça “As Moscas”, de Sartre, e na idéia que “a liberdade é um fardo pesado demais para se carregar”. Pensou, talvez por causa das moscas, que suas fezes andavam um tanto inconsistentes – não exatamente moles, como quando se está de diarréia, mas inconsistentes. Estaria ele com algum problema intestinal? Pensou que sempre gostou mais de gatos do que de cachorro e que jamais dispensaria um picanha na brasa, ao ponto, em favor de um sorvete de creme com banana e calda de chocolate quente. Morreu ali, no banco da praça, pensando, de morte natural, anônimo.
Amar e ser amado ou bônus HCV
Sargento Washington, morador da Vila Nossa Senhora de Fátima, no Aglomerado da Serra, onde é vizinho de Dalva, por quem seus amores são: atende, doce amada, à súplica de paixão que a ti dedica meu coração. Dalva, que trabalha na padaria da esquina, ama em silêncio o senhor Ataliba, freguês do estabelecimento, e é desejada em silêncio por sua gerente, Magda: mas como, estimado Washington, se não são por ti meus suspiros, se os sentimentos que por ti nutro são de natureza diversa do amor, se não vejo em ti, exceto a farda, nada além do ombro companheiro em que sempre espero poder derramar minhas mui contidas mágoas? Sargento Washington: Mas deve haver, quiçá, alguma maneira pela qual eu possa despertar em ti o que por ti sinto, senão, que razões terei eu para seguir na peregrinação ingrata desta vida árida e sem perspectivas? Dalva: nisso tens razão, estimado Washington, perspectivas não temos, afinal, nascemos paupérrimos, carecemos de instrução, moramos na favela, somos ridiculamente mal remunerados em nossos empregos ridículos, aos quais nos agarramos com tanto afinco, e sequer somos correspondidos em nosso respectivos eflúvios amorosos. Sargento Washington: mas diz-me, então, que, pelo menos no que concerne a nós dois posso vislumbrar algum ponto de luz que me livre das tristes trevas da solidão e do abandono em que me encontro mergulhado. Dalva, pensativa: não creio, em verdade, que meu amor pelo senhor Ataliba venha um dia a ser correspondido, então, a ti digo, estimado Washington, que podem haver, para nossas míseras vidas, minha e tua, caminhos que convirjam. Sargento Washington: pelos céus! Como havemos de encontrá-los? Dalva: cedo aos teus encantos se me fizeres um favor, que não é pouco nem pequeno, pelo contrário, é um favor que demandará de ti coragem, frieza e astúcia e que, no entendimento do meu coração, terá lugar como verdadeira e definitiva prova de amor. Sargento Washington, exaltado: diga-mo qual, pois! Não hesitarei em atendê-la doce amada! Dalva, com olhar transbordando candura: desejo, querido Washington, que tire de uma vez por todas do meu caminho a perversa Magda, a gerente da padaria em que trabalho, aquela mulher que, não sei por qual misteriosa razão, insiste em me humilhar, dia após dia, me tratando como a mais vil e desprezível das mulheres. Sargento Washington: queres que dê-lhe da vida cabo? Dalva, quase tímida: penso que sim. Sargento Washington: com ou sem dor? Dalva: com.
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